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Crédito deve assegurar fôlego na construção

Quarta, 11 Dezembro, 2013


A contração do PIB no terceiro trimestre (-0,5%) foi em boa parte causada pela queda de 2,2% no investimento.
Nada indica que este se recuperará significativamente no quarto trimestre. Ainda assim, 2013 deve ser espetacular para o investimento, que deve aumentar cerca de 6,5%.

O IBGE não abre os resultados trimestrais em investimentos em bens de capital e em construção, mas pode-se inferir que caíram no terceiro trimestre. A construção, em 0,3%, a absorção de bens de capital, em 3,8%. Um desempenho ruim, mas que precisa ser colocado em perspectiva.

Na comparação com o terceiro trimestre de 2012, o investimento aumentou 7,3%, com alta de 2,4% na construção e de cerca de 12% na absorção de bens de capital.

A alta interanual da construção se deve em grande parte à expansão do crédito imobiliário, cujo saldo subiu 1,5% do PIB (26% em termos reais) entre setembro de 2012 e o mesmo mês de 2013.

Essa forte alta, puxada pelos bancos públicos, deve continuar, ao menos até as eleições. Ela deve contribuir mais que as privatizações de infraestrutura para manter a construção aquecida.

Já a expansão do investimento em bens de capital resulta em grande medida da supersafra de 2013. No ano passado, a quebra da safra -o PIB agropecuário caiu 2,1%- e novas regulações ambientais dos motores de caminhões, que assustaram compradores, levaram a uma queda do investimento (-4,0%), liderada pela menor produção de caminhões e ônibus (-36%).

Neste ano, essa produção está sendo retomada: nos primeiros nove meses do ano, ela subiu 41% ante o mesmo período de 2012. A produção de tratores e máquinas agrícolas, por sua vez, subiu 17%.

Os resultados do terceiro trimestre sugerem que o investimento em bens de capital deve desacelerar.

Primeiro porque a base de comparação será menos favorável. Segundo, os agricultores já compraram novos caminhões e não precisarão renovar a frota em 2014. Terceiro, a alta da Selic deve esfriar o investimento. Quarto, o dólar mais caro desestimula a importação de maquinário.

E, quinto, porque a incerteza aumentou. Há não apenas o receio de que as eleições comprometam ainda mais a qualidade da política econômica como se espera que em 2015 sejam feitos ajustes na economia. E paira sobre nós a dúvida sobre os impactos da normalização da política monetária dos EUA.

Por fim, registre-se que no terceiro trimestre a taxa de investimento foi de 19,1%, um número bom, mas que a taxa de poupança ficou em só 15,0%, realçando a crescente dependência da poupança externa, que atinge uma escala que começa a preocupar.

Fonte: Folha de São Paulo, por Armando Castelar - 07/12/2013





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